Oceanos do Espaço – O Início

Como primeira participação minha neste blog aqui deixo o primeiro conto editado da minha autoria.

Relembro que o mesmo foi publicado em circuito escolar ainda em 1998 e desde então não sofreu qualquer alteração.

Espero que seja do agrado de todos.

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Estamos no século XXX e há já alguns séculos que o Homem faz viagens interestelares e intergalácticas. Propagou-se através de  várias colónias disseminadas pelo cosmos e estabeleceu contactos e relações com outros seres inteligentes. Sempre sedenta de poder e de conhecimento tecnológico, a nova sociedade devotou-se completamente ao Espaço durante décadas.

Mas este exagero desmesurado já era de mais para alguns intelectuais, que a certa altura, fartos do conceito Espaço se enclausuraram nas bibliotecas, efectuando uma busca frenética de algo que pudessem realizar, que não beneficiasse a sede de poder, mas que fosse importante culturalmente e que lhes permitisse realizar um sonho acalentado por todos: Serem pioneiros!

Na Terra, a metrópole e centro governamental da Liga Estelar, certo dia, como que por acaso, encontram-se todos na mesma biblioteca.

As bibliotecas ainda eram assim designadas devido ao facto de conterem várias publicações em livro que apesar de tudo resistem às novas tecnologias por exigência de muitos leitores devido ao gosto que tinham em folhear um livro, apesar destes constituírem o principal conteúdo, possuiam também uma enorme base de dados imformática com cópias digitais de quase todas as obras publicadas até então, além de permitirem o acesso às bases de dados das diversas universidades e institutos de investigação espalhados por esse universo fora.

Cada um já desconcertado à sua maneira devido ao falhanço geral das suas pesquisas, pois parece não haver nada por realizar. No entanto alegram-se um pouco quando se encontram com os seus pares. Depois de feitas as apresentações e as saudações . . .

—    O quê, não me digam que não sou o único farto do Espaço! – exclamou surpreendido um dos presentes.

—    Pelos  visto não. Já agora, será que estamos aqui todos com o mesmo objectivo?

—    Eu pelo menos ando a ver se encontro algo diferente para poder fazer.

—    Eu também. – disse um – Tal como eu. – gritou outro, e assim sucessivamente.

—    E será que ao menos algum de vocês teve sucesso na sua pesquisa?

—    . . . ? ? ? – ninguém respondeu pois nenhum deles tinha atingido a sua meta.

—    AI! Que será da nossa vida? O que iremos fazer?

—    Boa pergunta, mas . . .

Apesar desta angustia que sentiam devido à falta de algo para poderem realizar, não se demoveram, antes pelo contrário, pois agora podiam trabalhar em conjunto na busca de uma solução, razão pela qual começaram um grande festejo e uma animada discussão sobre as estratégias a seguir.

Entretanto, a bibliotecária, depois de várias reclamações reparou numa certa  animação em que se encontrava um grupo e depois de várias advertências resolveu intervir.

—    Os senhores desculpem, mas já pedi várias vezes que se acalmassem por isso sou obrigada a convidá-los a sair o mais rapidamente possível da biblioteca, pois estão a importunar os outros leitores e isto deverá ser um local pacato. Por isso, seus arruaceiros, façam o favor de sair antes que chame a polícia.

—    Pronto, tenha calma, nós estávamos já de saída pois não somos pessoas de frequentar estas pocilgas.

—    Francamente ! Ponham-se já na rua. E já agora escusam de cá voltar. – responde a bibliotecária indignadíssima e pegando numa vassoura, que provavelmente foi herança de familia pois hoje em dia já só existiam mini aspiradores, vai enxotando o grupo para a rua.

Já na rua um deles vira-se para a senhora e com ar de gozo desafiando os outros membros do grupo diz:

—    Os amigos já me viram as linhas desta jovem ? Não é nada de se deitar fora, que tal levámo-la connosco para uma festarola de luzes apagadas ?

—    Seu . . . Seu . . . – indignadíssima e vermelha que nem um tomate atira-lhe cheia de raiva com a sua relíquia, fechando de seguida a porta atrás de si.

—    Bom, está visto que a senhora não está de bom humor. – e esfrega a cabeça onde lhe acertou a vassoura.

—    É bem feito, não devias ter ido longe de mais. Mas foi uma cena linda de ver. Já que ela não quer nada connosco eu convido-vos a todos a ir até minha casa para continuar a discutir ideias e também para celebrar o facto de estarmos juntos, mas sem a festa às escuras proposta aqui pelo nosso colega.

Pois nos dias que correm juntarem-se para discutir ideias é uma desculpa tão boa como outra qualquer para se realizar uma “pequena festarola” com os amigos.

Já a noite ia longa, bem como as festividades, quando alguém se deu ao trabalho de tentar apreciar a decoração da casa.

Cada parede era um mural a retractar uma cena marinha, existia por toda a casa réplicas de vários instrumentos e veículos Oceanográficos, existia também diversos modelos de variadas espécies marinhas, algumas já extintas e várias fotos de mergulhadores em acção e de um homem no seu barco.

E qual não foi o seu espanto quando, sem saber bem como, nota que toda a decoração da casa versa o mesmo tema, um homem e a sua paixão. Visto isto, chamou a atenção de todos os presentes para o facto e pediu ao dono da casa que explicasse o significado. Um pouco envergonhado com a excessiva atenção de que era alvo, o anfitrião ainda se mostrou renitente, mas lá acabou por ceder e procedeu à explicação pedida.

— A decoração da minha casa é a minha homenagem pessoal ao meu ídolo, o Sr. Jacques-Yves Cousteau, um grande oceanólogo do séc. XX e à sua paixão pelo mar que o levou não só a explorar os cinco Oceanos da Terra como também todos os mares, rios e lagos que por alguma razão merecessem a sua atenção. Deixando um inestimável legado até aos nossos dias, que infelizmente já está quase esquecido.

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Mal acabava de satisfazer a curiosidade dos presentes quando alguém brada repentinamente.

—         MAS É ISSO ! ! !  Aí está a solução para o nosso problema …

—         Isso o quê?!?! Pormo-nos a pintar quadros sobre os peixes é?

—         Qual pintar qual quê. Ouve-me mas é com atenção. Com toda esta corrida ao Espaço e a sua consequente exploração houve coisas que foram descuradas, como por exemplo a investigação marinha dos oceanos existentes nos diversos planetas onde o Homem pôs pé ou com os quais estabeleceu fortes relações. E será essa a nossa missão. Pois não se esqueçam que alguns desses “oceanos” fomos nós, os homens, que os criamos e desde então nunca foram alvos de estudo.

—         APOIADO ! ! ! – exclamaram uns – Bem Visto ! – gritaram outros.

E foi a partir deste entusiasmo todo que se deu inicio à Operação Oceanos.

Algum tempo depois, após muitas noites em claro e de uma árdua planificação, vamos encontrá-los completamente estafados mas imensamente felizes no, agora, Museu Oceanográfico Intergaláctico do Mónaco, o principal apoiante da Operação.

Mas os obstáculos sucediam-se inevitavelmente e uma das principais questões que se levantou logo desde o inicio, foi a de qual seria o veiculo que utilizariam na Operação e quais seriam os sistemas e instrumentos de apoio nele presentes, o que provocou uma grande discussão sem fim à vista. Até que um dos membros do grupo que estivera até então afastado da discussão começou freneticamente a escrever num papel gritando.

—    Façam o favor de se CALAREM ! Pois preciso de silencio para me concentrar.

Face a este anuncio, aqueles que estavam empenhados na discussão ficaram completamente mudos, olhando uns para os outros sem saberem o que fazer. Até que um ganhou coragem e interpelou o colega que se encontrava compenetrado a escrever no papel.

—    Olha lá? Mas tu queres fazer o favor de nos explicar o que é que estás para aí a fazer ou então deixas-nos continuar a discussão?!?!

—    Mas com certeza caro amigo, vocês podem discutir à vontade porque eu já arranjei a solução por isso façam favor. – e sai da sala deixando os colegas uma vez mais a olhar para o boneco.

—    É preciso ter lata.

—    Realmente . . . Isto não se faz!!!

—    Mas afinal o que é que se passa naquela cabeça???

—    Não sei, mas acho que devíamos averiguar.

—    Então vamos!

O grupo foi encontrar o membro dissidente agarrado ao computador, de volta de grafismos e outras coisas. À medida que ia consultando os rabiscos antes assentados numa folha. Já sem poderem mais, arrancam-no da cadeira e obrigam-no a contar tudo tin-tin por tin-tin.

—    Pronto calma, não nos enervemos. Eu falo! Eu falo! – apesar da situação, mantinha-se com ar de gozo e não o escondia.

—    Acho bem, mas sem brincadeiras, pois já não aguentamos mais.

—    Muito bem, a solução é o SpaceSub.

—    O QUANTOS ? ! ? ! ? ! – exclamaram todos.

—    SpaceSub.

—    Mas o que é isso ? ? ?

—    É a ligação de uma nave espacial com um submarino.

—    Ha!!! Mas se é uma nave espacial e um submarino, deverá ser muito grande, não é assim?

—    Sim, efectivamente assim é. E como tal, devido à sua enorme dimensão não se poderá comportar como um submarino normal. Agora preciso que os colegas me ajudem a achar a solução para este pequeno pormenor.

—    Pequeno pormenor, tu achas isto um pequeno pormenor??? Ra’s te parta’!!!

—    Bom, ao menos ainda temos um papel na criação do nosso veiculo . . .

Este pormenor veio a ser uma grande dor de cabeça, pois um veiculo com um diâmetro quase duas vezes o de um estádio de futebol teoricamente comportava-se esplendidamente em viagens espaciais mas não era tão manobrável debaixo de água em locais semelhantes à Fossa das Marianas.

Alguns dias depois, após muitas dores de cabeça, um dos cientistas absteve-se de participar na discussão que decorria. Tal alheamento, ao fim um certo tempo, começa a preocupar os colegas que entretanto tinham findado a discussão sem chegarem a qualquer solução possível, até que finalmente . . .

—    Meus amigos, temo-nos andado a matar para nada, pois a solução é bastante simples e . . .

—    Desculpa??? Como muito simples se ainda não chegámos a nenhum consenso!

—    Sim, eu sei disso, mas passo já a explicar a minha ideia. Logo que cheguemos ao destino, a nossa primeira tarefa será a de procurar um local onde possamos fundear em segurança, transformando assim o SpaceSub numa base submarina, a partir da qual procederemos a todas as operações de pesquisa.

—    Realmente é bem pensado, aliás como é que nos estava a escapar uma coisa tão simples, tendo em conta o material de que dispomos para a nossa operação.

—    Por falar nisso, quais são mesmo os materiais e dispositivos de que dispomos?

—    Bem, iremos dispor de dois submarinos com capacidade para quatro pessoas, dois mini submarinos para uma pessoa, 20 fatos de mergulho e 20 fatos espaciais com os respectivos apetrechos e o SpaceSub incluirá um laboratório ultra-sofisticado no interior.

—    Bom, e assim se esclareceu mais um pormenor e é menos uma dor de cabeça… Cheios de fé e preparados com todos estes “apetrechos” os nossos dez amigos encontravam-se virtualmente preparados para qualquer eventualidade que lhes pudesse surgir.

Passados alguns meses encontramo-nos de novo no Museu do Mónaco, agora transformado no quartel general da Operação Oceanos.

— O nosso contacto nas Caraíbas diz que estará tudo pronto dentro de uma semana conforme o previsto e pergunta que  nome se vai dar ao SpaceSub.

— Ora aí está uma coisa de que nos esquecemos. Então meus amigos que dizem?

—         …… – ninguém fala, ficou tudo sem reacção, até que…

—    JÁ SEI ! ! ! Nós começamos esta Operação inspirados pela vida e obra de Cousteau, então que tal usarmos o nome do seu barco?

—         BOA IDEIA, APOIADO!! Mas… Qual é o seu nome ? ? ?

—         Calypso. O SpaceSub vai se chamar Calypso.

Após esta conversa foi necessário voltar ao trabalho, pois faltava planear alguns pormenores de última hora relativos à partida. Tais como, o local da partida, quem daria o discurso, que tipo de entrevistas se dariam e mais preocupante, a resposta ao pedido que o Museu do Mónaco fez à equipa: o desejo de que antes de deixarem o Planeta dessem uma vista de olhos nos Mares Terrenos. Mas com estava previsto chegarem a Marte dentro de três meses e já estavam um pouco atrasados com o calendário tornou-se difícil corresponder a esta solicitação.

Algumas horas mais tarde, como resultado de uma acalorada discussão chegaram à seguinte conclusão: era imperativo dividir o grupo. Uma parte ficaria na Terra, enquanto que o resto iria para Marte, depois unir-se-iam em Neptuno antes de deixarem o Sistema Solar para sempre.

—    Muito bem, mas como é que vamos dividir o grupo? Dividimos o grupo ao meio, mas com que material é que fica cada parte, qual será a designação de cada parte e qual será o seu principal objectivo?

—    Bem, as designações para cada parte é fácil. Primeiro, passamos a designá-las por equipas. Assim a que ficar na Terra será chamada Equipa Azul e a que irá para Marte será chamada Equipa Vermelha.

—    Realmente é bem pensado. Mas que material fica com quem?

—    Bom, para sabermos isso primeiro temos que pensar no que iremos usar nesta nossa Operação. Mas pelo menos já sabemos uma coisa, a  Equipa Azul terá o apoio do barco de pesquisa do Museu do Mónaco o “Le Monde”. Enquanto que a Equipa Vermelha seguirá  para Marte com o SpaceSub.

—    De acordo, mas qual será a missão de cada equipa.

—    Em principio a missão da Equipa Azul será a de coordenar o reinicio da exploração marinha em diversos pontos da Terra, com o principal objectivo de comparar os resultados obtidos com os resultados legados por Cousteau e outros entusiastas da sua era. Enquanto que a Equipa Vermelha tem como missão tentar catalogar e estudar todos os animais marinhos existentes no planeta.

—    Como é isso, todos?!?!?!

—    Pois, é que após o projecto de terraformação de Marte . . .

—    Já agora, o que realmente foi o projecto de terraformação de Marte, ou melhor, o que se passou?

—    Pois, nunca ninguém explicou isso bem.

—    Então eu explico, desde o começo. Como sabem, finalmente no século XXII foi descoberta uma povoação de nativos de Marte.

—    Sim, o célebre caso em que muitos intelectuais desse tempo levantaram a questão de que o povo humanoide descoberto teria outra origem.

—    Isso mesmo. E como devem ter conhecimento, esse povo ficou contentíssimo por haver uma possibilidade de recuperar o ambiente de Marte.

—    Ah, eu recordo-me vagamente de ter visto um comentário sobre isso, em que os Marcianos contavam que outrora Marte tinha tido uma atmosfera semelhante à da Terra. Mas, há alguns séculos atrás, o estado dessa atmosfera começou a decair até lhes tornar a vida muito difícil. Desde essa altura a população Marciana tem vindo a decrescer drasticamente. Mas de que eu me lembre, nunca explicaram como é que se mantiveram escondidos durante tanto tempo dos nossos olhares.

—    Até hoje nunca se descobriu. Mas o que te recordas desse documentário está correcto. Dai a alegria deles quando lhes propusemos fazer a terraformação de Marte.

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—    Algo que eles concordaram plenamente e deu origem ao exílio Marciano.

—    Correcto mais uma vez. Esse exílio foi provocado pela razão de não poder estar ninguém no planeta durante o processo de terraformação.

—    Sim isso já nós sabemos, explica lá mas é como foi o processo.

—    Muito bem, o que consistia o processo de terraformação? Consistia na provocação do efeito de estufa em Marte, o que iria provocar o degelo dos glaciares existentes nos pólos do planeta . . .

—    E assim passaria a existir água no estado liquido .

—    O que levaria à criação de uma atmosfera mais aceitável cerca de cem anos depois, já com ecossistemas definidos e os mares e rios criados.

—    Mas, quando os Marcianos regressaram a Marte já encontraram todas as infra-estruturas necessárias à civilização erigidas, como é que isso aconteceu se durante o processo de terraformação não podia estar ninguém no planeta?

—    À que reparar num pequeno pormenor, é que os Marcianos decidiram regressar cento e sessenta anos depois, quando podiam ter regressado sessenta anos antes.

—    Ah! Então foi durante esses sessenta anos que se erigiram todas as infra-estruturas e se fez o ordenamento do território.

—    Certíssimo. Sim, e mesmo antes havia equipas de técnicos e cientistas tanto Marcianos como Terrestres que iam fazendo um acompanhamento do processo e provocando pequenas alterações. E foi durante esse tempo que se fez a repovoação do planeta com vida selvagem, e, é esta a parte que interessa à Equipa Vermelha.

—    Porquê? Esses tais cientistas não fizeram o levantamento das espécies?

—    Não, eles inseriram várias espécies terrestres de animais marinhos e previa-se que houvesse o reaparecimento de algumas espécies nativas.

—    Ha! Mas ninguém se lembrou de se ir fazendo um acompanhamento à evolução do processo, pois não?

—    Mais ou menos, é que tal não era possível face a um planeta inteiro a precisar de atenção. Por isso, de tal maneira é o desconhecimento da vida existente no Mar de Marte que ninguém vai à praia, quer seja Marciano ou colono.

—    Porquê?

—    Porque têm medo do que poderá surgir por entre a rebentação das ondas. Isto depois de terem desaparecido misteriosamente alguns dos primeiros cidadãos e terem sido mais tarde encontrados à beira mar pedaços dos seus corpos cheios de estranhas e desconhecidas marcas.

—    Resumindo e concluindo, vamos fazer uma caça ao Papão de Marte.

—    Isso não tem piada, mas infelizmente é quase verdade, só tem um pormenor, em vez de o matarmos, vamos-lhe tirar a fotografia.

Após o briefing das missões e objectivos de cada Equipa, todos concordaram que a partida de ambas deverá ser em simultâneo do mesmo local, visto que após a partida irão estar separadas durante ano e meio.

Uma semana depois ao largo da ilha de S. Miguel no arquipélago dos Açores, após uma aparatosa festa de despedida, iniciou-se a Operação Oceanos. Aos espectadores presentes depara-se um esplendoroso espectáculo, pois o “Calypso” era um engenho enorme, de forma circular, semi achatado, quase semelhante à mítica nave do filme Star Wars, a “Millennium Falcon”, mas com duas diferenças, tem o triplo do tamanho e uma cabina de observação de cada lado, mas tal como ela de um branco imaculado, quase celestial que encandeava o olhar.

Foi o mui digno Presidente da Direcção do Museu Intergaláctico do Mónaco, procedeu ao baptismo do “Calypso” e fez o discurso de despedida.

Senhores e senhoras, caros concidadãos do Universo. Estamos hoje aqui presentes para dar inicio à maior operação de exploração de todos os tempos, a Operação Oceanos. Inspirado nos entusiastas pelo Mar do século XX, que nos deixaram um inestimável legado cientifico, este grupo de cientistas e intelectuais dos nossos dias decidiu prosseguir a sua obra e leva-la ainda mais longe, aos confins do Universo se possível e aos nossos corações o amor e o interesse pelo Mar. Mas mantenhamos esta cerimónia curta e simples, por isso sem mais demoras declaro iniciada a Operação Oceanos e desejo boa sorte aos nossos heróis.

O publico presente deu urras e mais vivas no meio de uma grade ovação ao grupo “Calypso”, que sem mais demoras parte em direcção ao desconhecido.

Vinte dias passados após o inicio da Operação, a equipa Azul começa a divulgar resultados, Resultados esses que tiveram transmissão simultânea, ou quase, em todos os meios de comunicação, desde o HoloJornal e do WebJornal, passando pela RadioCerebral, até à Tv3D;

–    Hoje a Equipa Azul da Operação Oceanos divulgou um dos mais incríveis e inacreditáveis resultados apurados cientificamente ao longo da nossa História. O facto de  nos mares Terrenos algumas espécies dadas como extintas no séc. XX terem sido detectadas em várias explorações efectuadas por esta equipa. Passamos agora em directo para o “Le Monde” onde um dos membros da equipa nos irá explicar como isto é possível. . . Dr?

–    Bom, antes de mais nada muito boa noite, bom dia e boa tarde, consoante seja o caso, para todos. E agora quanto à sua pergunta, ainda não temos nenhuma explicação plausível para este acontecimento, apenas possuímos uma teoria.

–    Já agora Dr, pedia-lhe que no-la revelasse.

–    Muito bem. A razão apontada para o facto é a seguinte, devido ao progressivo cuidado que o Homem começou a prestar aos Oceanos e à calma que daí adveio, isto é, os Oceanos deixaram de estar saturados, gastos, e de certa forma mortos, por algum motivo ainda desconhecido, o código genético de muitas espécies dadas como extintas no século XX e mesmo antes, reapareceu em ínfimas formas de vida em nada semelhantes às originais, refazendo em poucos séculos a sua evolução, equivalente a milhares de anos desde o início da Terra.

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–    Mas isso é realmente possível Dr?

–    E porque não? Já vimos em outros planetas a rápida evolução e adaptação de várias espécies introduzidas, por isso e porque não o reaparecimento de algumas já extintas?

–    Sim, realmente e porque não? Muito obrigado Dr…

–    Eu é que agradeço.

–    E aqui têm senhores e senhoras, a noticia que fez estremecer o meio cientifico e que deixa antever muitas surpresas para a Equipa Vermelha. . . E por hoje é tudo, até amanhã com uma reportagem mais pormenorizada sobre este achado.

Entretanto a bordo do Calypso a Equipa Vermelha seguiu atentamente a entrevista á medida que empolgadissimos iam analisando os dados recebidos directamente da Terra enviados pelos seus colegas. Assim que terminou a entrevista reuniram-se todos para debater a teoria avançada pelos seus colegas e as implicações que poderia ter na sua missão e no que iriam encontrar. E foi com este pensamento fixo que entraram na fase final da viagem para Marte.

Este novo dado pôs toda a comunidade científica em polvorosa e conseguiu um dos objectivos subliminares da Operação Oceanos – fazer o mundo acordar para novas realidades e esquecer um pouco a questão do espaço como meio de negocio e poder. . .

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Posted on 12 de Março de 2014, in Geral and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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