Opinião: “O Quinto Dia” – Frank Schätzing

Hoje trago um Eco-Thriller que poderíamos considerar como uma manual avançado de Ciências da Natureza pois de certo modo é vital para uma correcta compreensão da narrativa termos presentes alguns conceitos básicos dos diversos campos da biodiversidade e eco-esfera terrestre.

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“O Quinto Dia” de Frank Schatzing
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 920
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722032377
Coleção: Ficções
Sinopse: COMO SERÁ O FIM DO MUNDO? ÉPICO, INTENSO E ASSUSTADORAMENTE REAL.
Acontecimentos bizarros, nas profundezas do oceano, perturbam os cientistas. No litoral do Peru, um pescador é atacado por um cardume.
Na costa do Canadá, baleias atacam embarcações turísticas. Furacões e tsunamis matam todos à sua passagem.

É o contra-ataque de um sistema que foi equilibrado antes de ser dilapidado pela intervenção humana. Ou seja: a teoria de que a actividade humana criou situações que afectam um equilíbrio delicado, que até agora abrigou formas de vida e ecossistemas complexos.

O mar é o instrumento de vingança.

O Quinto Dia revela a insurreição da natureza contra o homem, num cenário global.

Com o mundo à beira do abismo, uma verdade terrível é descoberta. O mais assustador é que essa verdade que Schätzing aqui descreve é, não apenas possível, mas bastante provável.

Frank Schatzing

Frank Schatzing estudou comunicação e criou uma empresa de publicidade em Colónia. Escreve desde 1990 e publicou o seu primeiro romance, Tod und Teufel, em 1995, e Lautlos, o seu primeiro thriller, em 2000. Com O Quinto Dia (Dom Quixote, 2007), alcançou grande notoriedade, nacional e internacional. Esse livro não só se tornou um best seller, como foi sempre muito elogiado pelo conhecimento que revela de biologia marítima, geologia e geofísica. Limite é o seu mais recente livro.

Caso estejam interessados poderão adquirir o livro através da WOOK

Opinião:

Antes de iniciar os meus comentários sobre a obra, além de reforçar a nota inicial sobre a temática faço outro aviso à navegação, trata-se de um livro para ler com calma e sem pressas (apenas tem 920 páginas), com uma elevada presença de conhecimentos científicos que pode obrigar por vezes o leitor a recorrer a meios externos para clarificar certos temas/teorias, se bem que o autor faz um excepcional trabalho na introdução de teorias na narrativa através de alguma explicação base. Paralelamente também é nos dado um claro retrato da industria petrolífera do Mar do Norte (de onde é atribuído o índice de Brent tão utilizado na nossa economia nacional como referencia para os produtos petrolíferos).

Poderá fazer uma certa confusão inicial ao leitor a acção não ser de forma linear tradicional centrada num personagem principal, trata-se de certa forma num romance em mosaicos, que nos leva a acompanhar várias personagens chave espalhadas por diversos cantos do globo em acções por vezes paralelas ou complementares.

Com diversos acontecimentos bizarros com origem no oceano em que cardumes de peixes atacam pescadores, baleias atacam embarcações turísticas, vários investigadores começam a tentar perceber as causas de tais alterações comportamentais e eventuais consequências ignorando por vezes as limitações impostas pelas entidades para as quais trabalham ao promoverem a troca de informações com os seus pares a nível académico.
Com o desenrolar da acção o autor faz uma fiel reprodução da situação geopolítica contemporânea ao mesmo tempo que nos põem a pensar: “E Se?”
Pois se retirarmos do enredo a causa ficcionada da revolta dos Oceanos deparamo-nos com um acutilante alerta às consequências de determinadas acções governamentais bem como ao possível exagero da aplicação de politicas de preservação da segurança nacional/mundial.
Nesta obra vamo-nos deparar com várias cenas de acção de um “grafismo” literário excelente, somos mesmo postos quase na pele dos intervenientes e com isso damos por nós a sofrer com os destinos de algumas das personagens e a criar alguns ódios de estimação. A narração paralela de diversos acontecimentos dá-nos quase a sensação de estarmos a assistir a uma grande reportagem que mostra os vários ângulos da peça, de modo a que conseguimos unir os pontos e calcular a causa/consequência do resultado da acção desenvolvida.
cumbre vieja effectPara mim deveria ser um livro referencia a ser utilizado ao nível escolar/académico como forma de ilustrar vários pontos e inclusive para desafiar alguns a simular os cálculos e gráficos de algumas das teorias e acções retratadas, a titulo de exemplo, o tão famoso colapso do vulcão Cumbre Vieja na Ilha de Palma nas Canárias que afectará Portugal e fará do mítico Terramoto de Lisboa um passeio no parque.
Assim me fico e desafio o leitor a descobrir se o colapso será evitado ou se Portugal ficará reduzido a um punhado de Serras com enormes braços de Mar por tudo quanto é sitio.
Gustavo Mil
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Posted on 3 de Março de 2015, in Reviews and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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